segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Algo sobre amor

Eu te olho enquanto dorme
Me imagino no teu sonho
Me conforto apertadinho
Do lado esquerdo da cama

Acordado sinto teu cheiro
Entranhado no travesseiro
Que compraste com afeto
Não pensando no dinheiro
Que já foi em fevereiro

De dia na praia cheia
Carícias no seu peito
Agitando o pré-sexo
Que durou a noite inteira

Como és linda, princesa
Se torce e encolhe
Encostando o traseiro
Na minha coxa direita

Inspira um poema
Que suspira com teu sono
Me levanto na madrugada
De vinte "eu te amos"

Dormir sem dizer nada
Pensar no amanhã
Sonhar acordado
Gozar com gargalhadas

Sou feliz iluminado
nessa escura madrugada
Amanhã acordarei
Com o amor do meu lado

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Como café sem cigarro

Nada me impede de tomar mais um café. Já estou meio agitado, meio trêmulo, mas mesmo assim um pouco de cafeína cairia bem, muito bem. Poderia ser um espresso( com S mesmo. A palavra é italiana) ou um capuccino, mas teria que ser naqueles cafés bem transados com música ambiente e, por favor, sem ser careta. Careta ao ponto de proibir cigarro no recinto. Aliás, café sem cigarro é dose. É quase um cachorro quente sem catchup, ou uma pizza sem refrigerante. Outro dia estava no Leblon, bairro chique do Rio de janeiro, e estava a procura de um café, um bom café nos dois sentidos. Encontrei dois de uma vez. Era um ao lado do outro, só que, um tinha um nome americanizado e o outro se chamava Brasil Café, ou Café Brasil, algo assim. Por minha brasilidade patriota, optei pelo café brasileirinho. Me dei mal. Atendimento péssimo. O garçom ficava sentado num banquinho em frente ao café falando no telefone enquanto eu o chamava para ser atendido. Na xícara, meu espresso veio fraquinho e a quantidade mínima. Eu reclamei. O cara ainda veio me dizer que a quantidade certa de café numa xícara de espresso era aquela: um ou dois dedos dentro da xícara. Tudo bem, eu aceitei e acreditei na possibilidade, pois lembrei daqueles pratos gourmet que são servidos em restaurantes chiques. E por final, já conformado com os acontecimentos e pelo fato de ser um café-estabelecimento de nacionalidade brasileira, sentei e curti o meu café com minha namorada. Meti a mão no bolso, peguei um cigarro no maço, e quando coloquei na boca, veio uma funcionária correndo lá de dentro para a parte externa, onde eu estava, e me avisou, alarmou, sei lá o que, que não era permitido fumar lá. Eu questionei, pois era um lugar aberto, ela apenas fez um movimento facial e corporal meio envergonhado. O outro garçom não se movimentou, lá de fora, pois já havia estourado sua cota de perturbações ao cliente. -Tudo bem.-eu disse. Pedi um copo descartável e fui andando e fumando o cigarro. Café sem cigarro não dá.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quando penso em nada

Dia sim, dia não. Sempre me pego pensando na solidão. Olho o relógio e vejo os ponteiros apontando para algum número. Os números não me dizem nada, somente o tempo em que fiquei acordado pensando em nada. Faço as contas, o cálculo, não o renal, mas o cálculo dos minutos, horas e segundos em que não disse nada. Pego o copo e dou um gole n´água. Alguém me disse ontem, ou antes, que o tempo passaria rápido, mas estavam errados, o tempo é vago e calmo, lento e tarda. Não vejo a hora de ver a hora de novo. Não vejo a hora de não ver nada, somente um vazio escuro ou um sorriso no claro. Já é madrugada. O canto da cigarra me mantém acordado, ou seria um sapo? Nessas horas é melhor cantar junto, ou então me levaria pelo canto da sereia, ou andaria pelos cantos da cidade. Teria pena de mim não fosse pelas frases ditas e escarradas. Minha pele irritada pela coceira de nervoso, de novo dou um gole n´água, que no copo, logo não terá mais nada, no próximo gole. A televisão desligada, os livros empilhados e guardados com cheiro de mofo. Não vou abri-los agora, não quero. Tenho preguiça e descaso pelos ditados dos velhos safados que os escreveram nas noites em claro pensando em nada, agoniados com o barulho da cigarra e embalados pelo tabaco dos cigarros. Mais fumaça, menos um no maço. Já é tarde, mas ainda não escureço. Amanhã tem dia cheio, a noite vazia, somente na mente conto algo em voz interior alta. A forma de escrever já não faz questão. A caneta desliza leve e solta até o acaso, até que pare, até agora.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nuts and Vodka

-Tequila.
-Excuse me?
-yeah, you heard me. Fill it up.
-No.
-What?
-I said no.
-What?!
-I said no. You heard me.
-Well, you heard me before. I want tequila. Fill it up.
-Well, i´m not gonna fill it up. No.
-Ain´t i paying it? Whatafuck?
-Yes, maybe you are.
-So...
-So what?
-So, i´m not allowed to do it, sir.
-Why not, "Mr. Barman"?
-Sir.
-Sir, what?
-I just said sir, sir.
-Yeah, i heard you. But why aren´t you allowed to do it?
-Sir, i´m just not.
-Okay, give me the reason why.
-I prefer not, sir.
-Are you nuts? Are you fucking nuts?
-No i´m not, sir.
-Stop calling me sir and give me the fucking drink, asshole!
-Sir, i can´t.
-Why not?
-Do you want something else?
-You know what i want.
-I do, sir, but it´s not possible.
-You´re making me...
-Olives, sir?
-No! Tequila! Tequila! The fucking Mexican drink, goddamnit!
-Sir, we are out of Tequila.
-I´ll fucking kill you. Give me the fucking Tequila!
-Not possible, sir.
-Vodka then.
-Olives?
-What now, you don´t have vodka?
-Excuse me?
-Give me fuckin nuts and vodka.
-Vodka?
-The fucking russian drink.
-Yes, sir, we do. How many shots?
-What do you suggest?
-I don´t know, sir.
-Give me a fucking number.
-You don´t have to go down there,sir.
-I am already down there, asshole. Haven´t you noticed?
-No. I´m afraid not.
-Give me a number.
-Okay, sir. Two.
-That´s it?
-It´s up to you.
-No, it´s up to you.
-Why?
-Two?
-No. Why is it up to me?
-Just fill it up.
-Two it is.
-Do you have a life?
-No, not really.
-Okay.

He waits the barman pour the drink into the glasses, drinks them at once, takes out his Magnum and shoots him twice in the forehead.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A velha na calçada

A boca da velha solta palavras tortas, assim como seus dentes. Um batom vermelho desbota e falha entre as dobras dos seus lábios velhos, gastos e rachados. Seus olhos, meio perdidos, olham mas não vêem. Não sei pra onde. São vagos, tristes e sem alvo. Solta palavras de desagrado, enquanto um moço moreno e magro, debochado, ri e a imita em voz alta. Ela não percebe que está sendo caçoada. Um casal jovem passa de mãos dadas e pensam no possível motivo das altas gargalhadas do rapaz magro e do povo que assiste ao show de horrores no meio da calçada, que ferve os pés do garoto mendigo que passa correndo e pisa na terra para amenizar a dor, pois anda descalço. A velha anda um pouco e para. Anda para a sua direita, inconformada mas conformada, pois não houve respaldo. Ela para, diz que vai mas não vai. Olha pra trás e reclama. Eu observo. O entregador da farmácia passou de bicicleta em velocidade alta no meio da calçada, que ferve, e quase atropela a velha acabada. Sua bolsa cai, ela grita e pensa que está sendo assaltada.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Espresso

Tomo café pra acordá
Cadê o papel pra coá?
A água escorre pra dentro do copo
onde o açucar tá pra adoçá.
Do café a cafeína,
Da coca a cocaína.
A menina que vem e me toca
chupa a minha língua.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz tempo

O tempo é um só. Zeramos o cronômetro a cada ano acreditando sempre num próximo melhor. Também podemos fazer isso com o dia, a hora, o minuto... Sendo assim, teremos energia para tornar cada instante em tempo de mudar, renovar, criar.
O tempo é um só, mas é bom ter um ano inteirinho saindo do forno. Uma massa de pizza fresquinha que moldaremos a gosto. Vamos ter mais força, mais vida, menos medo e medidas. Por isso, desejo a todos um feliz ano novo, mês, minuto, hora e dia!

Free Blog Counter