segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Até jorrar

Escrevo nos silêncios gritos inexprimíveis
Mato a saudade com fotos não tiradas
Digo que amo com um olhar
Olho com lábios e maxilar
e com ele, mordo sua jugular
até o sangue jorrar

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cadê ela?

Duas e quarenta e dois. Ela não liga, não atende, não dá sinal de vida. Dou umas voltas pelo corredor estreito cheio de paredes brancas com rachaduras nos cantos, que a cada segundo me enlouquecem e me afogam em ansiedade, que saudade! Estou aos prantos. Há algum tempo não sinto meu próprio estado de espírito, aliás, sempre sinto, a não ser que não esteja em condições apropriadas para tal. Meu coração bate alto, a pulsação salta a camisa. Deve haver algum significado na parede branca ou naquelas rachaduras de infiltrações que descem pelos cantos do teto. O piso vermelho de hexágonos lisos me deixa tonto e ainda mais apreensivo, como num filme que venho sonhado há alguns dias. Agonia. Nessas horas há significado pra tudo, nada está de acordo, ela não liga. Portas estão fechadas, noto algumas brechas de luz entre o chão e elas, o silêncio tá impregnado. Não lembro de muitas coisas que tinha falado. Estou realmente ansioso e preocupado pela espera. A espera do inesperado, do incerto... Não gosto de esperar, ainda mais quando não sei se vão ligar. Não gosto disso, mas gosto dela. Lembro das semanas que antecederam esta, os dias que abrigaram nosso estado inebriado, nossos rostos colados, nosso cheiro fundido num só odor que habita até hoje a minha pele, meu travesseiro. Cheiro o meu braço, que, nem com banho do sabonete mais caro se desprende dela. Pra falar a verdade, confesso que não esfreguei com tanta vontade, nem com tanta raiva. Não o suficiente para desmanchar as partículas atômicas daquela menina doce e safada, que estava entranhada em minhas partes imaculadas. Não quero que seja assim. Entre a dúvida de tê-la pra mim ou não, prefiro o cheiro. Não! No final do corredor tem uma janela, e caso ela não abra a porta, eu entro por ela. Os vizinhos me olham pelos olhos mágicos, devem sentir o cheiro dos cigarros queimados, já foram pelo menos uns dez, quinze, fumados. Nossa, nossa história é mais feliz, eu lembro, lembro sim, lembro que falavamos de amor, de viagens, de planos, de sacanagem, de tudo. Tudo com ela era bom. Até nossas brigas eram enriquecedoras, não sobrava nós atados. Se ficávamos entediados com o silêncio? Isto é pergunta que se faça? Isso não alterava nosso estado. Nesses dias, há dois dias que ela não liga, o que pode ter acontecido? Não sou suficiente para que volte pra realidade? Pra minha realidade. Não precisa se esconder nas trevas dos meus pensamentos, não precisa se disfarçar de árvore, pois entre cada esquina há umas cinco ou quatro, e elas jogam folhas em cima de mim. No mais frio inverno do Rio eu lembrarei dela. Até quando não houver mais folhas e galhos nelas. As estrelas no céu, contávamos até nos cansar, paramos no número oitocentos e trinta e quatro, quando pegamos insolação lunar. Não é possível que não tenha mais. O céu está lotado, com quem vou contá-las? Andei bairros, quadras, ruas e praias, e passo todos os dias por aquele banco em que sentávamos, e com a bunda quadrada, ficávamos pensando em nada.

domingo, 18 de outubro de 2009

So not sorry

Okay, here we go again. One more request, one more shot, one more try. Dear reader who is out there reading this letter, without any regret, i humbly dishonor my honor to come here at this stage, this stand and ask for your precious attention, which is extremely valuable and important. I´m not gonna go any further, i´m not going to walk in circles and spend my unimportant time to explain what i have already tried and haven´t been certified that you have certainly understood. The reason why i´m here standing in front of this audience is something i cannot explain in physical words or meanings expressed in printable letters descending from latin expressions. Why the fuck am i losing my time and wasting the tip of my fingers and saliva, if spoken, and why would i care about your little fake eyes? Oh my..here we go again, me, getting lost in my own bullshit, trying to say what i don´t know. I´m so sorry. I´m so not sorry.

sábado, 3 de outubro de 2009

O-culto à...

Na pior das hipóteses: talvez. Só isso que posso te dizer, meu caro. Nem todo dia é dia de santo, aliás, seu santo não bate muito com o meu, e com o dele, e com o dela, e com o do padre. Santo Deus! Ah, meu Deus(com m maiúsculo pra mostrar respeito)! Você sabe que quem chegou pedindo óstia foi vossa senhoria, a senhora cega que vai à igreja todo dia com minha tia. Dai-me paciência, santo! Santo, dai-me paciência! Dai- me! Santo Daime! Vomita que sai. Quem viu a oferenda sendo entregue no mar de Copacabana ontem à noite às três e meia da manhã viu que não foi nada de mais, foi só um barquinho com velas e um ramo de flores brancas, rosas, e arruda, de quem pede ajuda a quem, aquém... Nem importa, nem importaria, nem impotará, se tomasse um gole da cachaça oferecida a Yemanjá, assim compartilhariamos: Um brinde aos orixás, que na pior das hipóteses, um "talvez" viria de mão cheia, carregada, cheia de perfume de lavanda. Ah, por quantas esquinas vou ter que passar, quantos banheiros de boteco vou ter que visitar pra marcar a presença como um cachorro sujo e sarnento, ou acabado de sair da pet-shop, que mija na beira do altar. Shoplifters of the world unite; não, isto não faz parte do discurso, apenas abstraia, exclua do sentido, torne oculto. O culto à santidades teológicas! Nada mais, nada que um padre não resolva, vá ao confessionário e abra a sua boca, conte os podres. Pode sim, Babalorixá diz: "Assuncê num qué sabê...Prucê trazê três charuto e acendê na incruzilhada cum farofa e galinha preta".

domingo, 20 de setembro de 2009

Gutter talk

Natural is people running without direction and leaving no trace behind. Faces up, heading to the sun up above in the sky. Smell the air with the smell of breeze moisturizing every surface in the planet. It is life what i call the energy seen in all the trafic lights. Yellow turns red and we know what it had been: Green. Walk. Wipe the dust out of your worn out shoe, it had gone and passed through many trustworthy neighborhoods, and strays of the worst kind. Kitty cat´s living on the edge on the street with nowhere to hide or lay without the steps of the passing-by cars and people smoking cigars.
Alley cats, street-dogs, travesties, nice-looking whores, the night is young and i don´t feel completely sober at all. The folks are sitting on the gutter, talkin, chanting last night´s drinks and lost loves. With the eyes almost shut they sing the best songs we know of. One more bottle, one more love, don´t step on my head with you high heel shoes...You know you´re blonde, i don´t care at all...The redhead girl was lookin at me before... Look up, they starting to throw stuff from the top floor of the brooklyn apartments. They are angry, they are hungry. They want more. They don´t have life, they don´t care if we have fun or not. Hey, man! You´re invited to sit down here with these people you see bleeding, sweating, laughing and drinking till the last sip of the cheap wine, and gin. Feel the energy, feel it deep, or else ima go upstairs and throw you from up there, you selfish bastard asshole.

domingo, 13 de setembro de 2009

Alguma coisa

Este texto é o início de alguma coisa. Posso afirmar, porém não com muito vigor, pois também há possibilidades de sobra de ser o fim, ou o desfecho de algo. Afirmo, então, que é somente um texto sem pretensão, embora não afirmar com tanta certeza assim. Afirmar eu até posso, mas não tenho base ou provas para isso; Há pretensão, pois sou um cara pretensioso, principalmente se pretendo algo. Seja isso compreendido ou não.
Não importa. A não ser que alguém se importe por mim. Para mim não há importância que seja digna de que se importem por mim. Por favor, não se importem!
Acho que estou sendo um pouco abusado ao pedir-lhes isto. Se trata de sentimento, ponto de vista, opinião, expressão; Repito: Sentimento, expressão, ponto de vista; Humano. Estou sendo um pouco pretensioso, não posso afirmar que somente humanos estejam lendo este texto. Fraqueza da minha parte; Acho que estou um pouco preso ao fato do qual somos impostos a acreditar que somente humanos possam ler. -Chaps! Vem cá! Chaps é o meu cachorro; Ou seria pretensioso de minha parte chamá-lo de "meu"? Bom, ele vive aqui na minha casa. -Vou pedir que leia algo. -Chaps, por favor, o que está escrito aqui? Ele apenas olhou pra mim como uma criança, um olhar calmo e sereno, com um ar despreocupado, piscou os olhos, quer dizer, somente o olho esquerdo, sentou-se no chão, e quando foi iniciar um movimento, que pensei que fosse dizer algo, não, Ele começou a se coçar frenéticamente. - Chaps, tá me ouvindo? Ele se coçou mais um pouco com um olhar que atravessava a minha existência e foi andando em direção à sua cadeira, que já não é mais usada por nós, "humanos" da casa.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nervos Adocicados

Versos para encantar-te
são estes que saem
e ardem de tanto querer
Só o que penso ninguém mais sabe
mais que eu por você
Assim sejam minhas visões
pra você, doce mulher
Vista com os olhos mais vividos
e bem pequeninos quando te vejo
e abro logo um sorriso
Abra a porta e veja
um campo florido
até onde a vista alcançar
Até onde as asas do meu coração voar
Até o final do bocejo
de um dia cansado e difícil
de passar por sua ausência
Mas sei que logo
antes que tudo aconteça
você vai chegar
para afagar os músculos tensos
e as ondas turvas dos meus desejos
e tocar com bocas
as extremidades dos meus nervos

Free Blog Counter